Por Cristiano Pisani 

Recentemente foram aprovados para uso emergencial em nosso país duas vacinas para COVID-19, uma desenvolvida pela SINOVAC-Butantan (Coronavac) e outra de Oxford-AstraZeneca-Fiocruz (Covishield). Essas vacinas inicialmente estão sendo aplicadas em trabalhadores de saúde, porém, em breve, em pessoas com mais de 80 anos, decrescendo essa faixa etária até 60 anos.

Em uma segunda fase, serão vacinadas pessoas com comorbidades como hipertensão, doenças cardiovasculares e obesidade (IMC > 40) que são fatores de risco para o aparecimento de arritmias cardíacas, portanto nessa segunda fase muitos pacientes com arritmias serão submetidos a vacinação.

Os estudos de Fase 3 das vacinas ainda estão em andamento, muitos ainda com resultados parciais, porém a segurança também é avaliada nos estudos de Fase 2, e o achado principal desses estudos é de que todas as vacinas estudadas são seguras para a população geral, incluindo pacientes com arritmias cardíacas.

Desta forma, pacientes com arritmias cardíacas podem receber as vacinas para COVID-19, especialmente os que se caracterizam como grupo de risco pelas comorbidades, sendo inclusive esses pacientes priorizados no programa.

Pacientes com fibrilação atrial geralmente fazem uso de anticoagulante, tanto os antagonistas da Vitamina K (Varfarina, Femprocumona) quanto os não antagonistas da Vitamina K (NOAC – Pradaxa®, Xarelto®, Eliquis® e Lixiana®), sendo a vacina uma injeção intramuscular, poderia estar associado a riscos de hematomas. Entretanto, vários estudos com as vacinas para Influenza, demonstraram que a vacinação é segura, especialmente pelo baixo volume infundido (nas duas aprovadas é de 0,5mL).

Entretanto, alguns cuidados devem ser tomados antes da aplicação:

• Pacientes em uso de Varfarina, com RNI estável, não necessitam intensificar o controle antes da vacinação, porém pacientes que tenham RNI lábil, recomenda-se a checagem alguns dias antes,

• Paciente em uso dos NOAC, a vacinação deve ser realizada preferencialmente o mais distante possível da última dose da medicação (próximo a 24hs da administração do Xarelto® e Lixiana® e 12hs do Pradaxa® e Eliquis®), podendo tomar a medicação caso não apresenta equimoses ou hematomas. Em caso de dúvidas ou caso ocorra um hematoma local, sugere-se consultar o seu médico.

• Sempre preferir a injeção no músculo deltoide (braço) pois neste local fica mais fácil de se observar se existe algum sangramento ou hematoma e, caso ocorra, a compressão manual local pode ser realizada pelo próprio indivíduo.

• Sempre preferir a injeção com agulhas mais finas e após a aplicação, realizar uma compressão manual local de pelo menos 2 minutos.

Pacientes com dispositivos cardíacos implantáveis como marcapassos e desfibriladores podem receber a vacina, sem restrições inclusive com relação ao braço que a vacina é realizada.

As vacinas são seguras e fundamentais para controlar a COVID-19 e permitir a retomada da normalidade, portanto todas as pessoas com arritmias cardíacas não só podem, como devem ser vacinadas quando chegar o seu momento de acordo com as orientações do Plano Nacional de Imunizações.

Nesse texto encontram-se informações sobre quais tipos de arritmias são associadas a maior infecção mais grave pelo COVID-19 (https://sobrac.org/home/pacientes-com-arritmias-cardiacas-possuem-maior-risco-de-infeccao-grave-pelo-novo-coronavirus/)

Referências:
https://www.sps.nhs.uk/wp-content/uploads/2018/09/UKMI_QA_IM-inj-anticoag_partial-update_Sept2018.pdf
https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2020/dezembro/16/plano_vacinacao_versao_eletronica-1.pdf

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