Desafio Eletrocardiográfico

TAQUICARDIA SUPRAVENTRICULAR

Cristiano Dietrich / Muhieddine Chokr

O Caso

Paciente de 18 anos, sexo feminino, procura o Pronto Socorro por queixa de palpitações aceleradas de início súbito com início há 1h. Previamente, episódios de palpitações de curta duração (<5min). Sem doenças prévias ou história de doenças cardíacas familiares. Ao exame físico, consciente, sem déficits motores, boa perfusão periférica, PA 102/63mmHg, FC 150bpm, taquicárdica, AC ritmo regular em 2 tempos e AP c/ MV bem distribuídos. Realizada admissão no OS com monitorização, administração de O2 e acesso venoso periférico. Durante a venóclise, foi realizado o ECG (figura 1):

 

 

Qual o mecanismo da taquicardia?

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Discussão:

O ECG demonstra uma taquicardia regular com complexo QRS estreito com onda P visível no segmento ST, sendo classificada como intervalo RP<PR. A onda P inscreve-se aproximadamente 100-120ms do início do complexo QRS.  Os diagnósticos diferenciais são: taquicardia por reentrada nodal, taquicardia por reentrada atrioventricular, taquicardia atrial ou taquicardia juncional (condução retrograda mais lenta que a anterógrada). Espontaneamente, a taquicardia é interrompida por um batimento ectópico com complexo QRS alargado (duração 130-140ms), sugerindo uma origem no ventrículo (padrão BRD, qR em V1 e rS em V6 – fascicular?). A extrassistole captura o átrio retrogradamente sem modificar o intervalo R-P, mas interrompendo a taquicardia (figura 2). Este padrão de interrupção, sugeri uma TRAV com condução retrograda por feixe acessório e anterógrada pelo nó atrioventricular, classificada como ortodrômica. Isto é confirmado pelo ECG em ritmo sinusal que demonstra pré-excitação ventricular manifesta sugestiva de feixe acessório póstero-lateral direito (figura 3).

 


Referência bibliográfica

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