Desafio Eletrocardiográfico

TAQUICARDIA RÁPIDA e MIOCARDIOPATIA, qual o mecanismo?

Autores: Cristiano Dietrich / Muhieddine Chokr

O Caso

Paciente de 47 anos, sexo feminino, procura o pronto socorro por piora da classe funcional (classe IV) há 1,5h. Tem história de miocardiopatia dilata não-isquêmica (FEVE 42%) e classe funcional II da NYHA. Vem em terapia com carvedilol, enalapril, furosemida e espironolactona. Exame físico do atendimento demonstra: consciente, orientada, acianótica, PA 98/62mmHg, FC 230bpm, AC ritmo regular 2 tempos, AP MV distribuído simetricamente e estertores crepitantes em bases. Após instalar-se oxigenioterapia, venóclise e monitorização cardíaca e dos sinais vitais (SpO2, PA, FC), a paciente apresentou estabilização clínica e foi realizado o ECG apresentado na figura 1.

Qual o seu diagnóstico e conduta?

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Discussão:

Resposta: C

Em consideração a uma taquicardia com complexo QRS estreito regular (120ms), a diferenciação entre ritmo supraventriculares é necessária. Uma opção menos frequente é uma taquicardia ventricular septal alta com ativação do sistema de condução que é uma forma rara de taquicardia fascicular.

Após estabilização clínica, foi possível o registro da atividade atrial por um eletrodo esofágico que demonstrou uma taquiarritmia com condução atrioventricular 1:1 (figura 2). Pela história de miocardiopatia dilatada e história incerta do início da taquiarritmia, foi optado pelo controle de FC com administração lenta de metoprolol EV. Porém, a paciente apresentou falta de ar e aumento da congestão pulmonar com necessidade de sedação EV e cardioversão elétrica sincronizada. Anticoagulação com heparina EV foi também administrada.

Pela análise do ECG, é difícil o diagnóstico diferencial já que é uma taquicardia rápida e de difícil visualização da atividade atrial. O eletrodo esofágico com registro da onda P permitiu a demonstração de uma taquicardia com complexo QRS estreito e relação P-QRS 1:1, tornando improvável o diagnóstico de taquicardia ventricular. A FC muito elevada (>200bpm) torna menos provável uma taquicardia por reentrada atrioventricular. Apesar de FA com FC muito rápida poderem apresentar pouca variação do intervalo RR, nota-se no ECG que a taquicardia apresenta intervalo RR sem variação o que afasta a hipótese de fibrilação atrial. Analisando-se cuidadosamente, pode-se verificar uma onda F negativa em parede inferior que deforma o segmento ST. O diagnóstico mais provável é um flutter atrial típico com condução atrioventricular 1:1.


Referência bibliográfica

Um Comentário em “TAQUICARDIA RÁPIDA e MIOCARDIOPATIA, qual o mecanismo?

  • Herbert Monteiro Diz:

    Eu teria estimulado o esôfago com frequência alta na tentativa de capturar o átrio e aumentar a frequência . Duas coisas poderia acontecer: fazer overdrive suppression e tb under drive para quebrar o circuito de reentrada ou transformar o flluter em Fib. Atrial elevando-te a frequência pois a FA reverte com maior facilidade.

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