Desafios em Eletrocardiografia

Taquicárdia de QRS estreito após ablação de fibrilação atrial, o que se pode afirmar?

Autores: Muhieddine Omar Chokr e Cristiano Dietrich

O Caso

Paciente de 60 anos de idade, com histórico de ablação de fibrilação atrial persistente há 1 ano. No procedimento foi realizado um isolamento das 4 veias pulmonares e da parede posterior do átrio esquerdo. Evolui com sintomas de piora de classe de funcional, procurando seu cardiologista para reavaliação clínica. O ECG realizado em consultório revelava o seguinte padrão eletrocardiográfico:

Pode-se afirmar:

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Discussão:

Resposta E

Discussão:

Paciente foi encaminhado para nova intervenção e manobras eletrofisiológicas demonstraram tratar-se de taquicardia atrial .

Após ablação de FA, o achado de taquicardia atrial não permite afirmar que se trata de flutter comum, ainda que as ondas F na parede inferior sejam discordantes na parede inferior e em V1. Ou seja, mesmo um ECG sugestivo de flutter comum pode não utilizar o istmo cavotricuspídeo nos casos de pacientes que já tenham sido submetidos à ablação da fibrilação atrial. Por outro lado, um ECG com características atípicas pode ser secundário a um flutter típico nesse contexto clínico.

Nos casos de taquicardia reentrantes, a morfologia da onda P perde acurácia na localização da arritmia. Portanto, esse achado tem maior valor em átrios normais com origem focal da arritmia.

Tratamento farmacológico com pill in the pocket possui baixa probabilidade de reversão da arritmia nessa condição clínica.

As taquicardias atriais que ocorrem após ablação da fibrilação atrial podem ter características de arritmia focal ou reentrantes. No presente caso, tratava-se de uma reentrada na borda inferior da linha de bloqueio da parede posterior (BOX). O traçado intracavitário demonstrava nessa região quase todo circuito da arritmia, com sua entrada e saída. Aplicação de radiofrequência nessa região interrompeu a taquicardia em 9 segundos. Realizado fechamento do BOX com pulsos adicionais de Radiofrequência nos GAPs demonstrados por mapeamento de voltagem. O paciente evolui assintomático e sem recorrência da arritmia no seguimento de 18 meses.

Taquicárdia atrial com quase todo seu circuito sendo demonstrado por cateter pentaray posicionado em borda inferior do BOX. Nesse local, pulsos de RF interromperam a taquicardia em 9 segundos.

Aspecto final do procedimento com pulsos adicionais de radiofrequência e isolamento total da parede posterior do átrio esquerdo.


Referência bibliográfica

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