Desafio Eletrocardiográfico

Taquicardia de complexo QRS Largo, qual mecanismo?

Cristiano Dietrich / Muhieddine Chokr

O Caso

Paciente de 62 anos, sexo feminino, interna no PS por queixa de palpitações acelerada de início súbita há 1 hora. Tem história de sintomas semelhantes porém de curta duração. Antecedentes de implante de marcapasso DDD prévio e cardiopatia chagásica, recebendo tratamento com metoprolol, enalapril e AAS. Ao exame físico, PA 123/84mmHg, FC 160bpm, consciente, lucida, eupneica, acianótica, hidratada, AC ritmo regular em 2 tempos, AP MV preservado sem estertores ou sibilos. O ECG é demonstrado na figura abaixo. Outros exames realizados angioTC escore de cálcio zero e ausência de lesões coronarianas; e ecocardiograma c/ aumento de átrio esquerdo, acinesia póstero-lateral-basal de ventrículo esquerdo, disfunção sistólica do ventrículo esquerdo c/ FEVE de 44%.

 


Figura 1: ECG do atendimento hospitalar

 

TAQUICARDIA DE COMPLEXO QRS LARGO, qual o mecanismo?

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Discussão:

Resposta: C

Uma paciente portadora de cardiopatia chagásica e marcapasso definitivo
apresenta-se ao departamento de emergência por quadro de palpitação e taquicardia
de complexo QRS alargado. Pela estabilidade hemodinâmica, foi realizada
administração de amiodarona 300mg (dose de ataque) com reversão da taquicardia.
Inicialmente, a paciente recebeu amiodarona com recorrência da taquicardia, sendo o
episódio revertida novamente com administração de amiodarona
Posteriormente, a análise do ECG é importante para diagnóstico diferencial e
adequada conduta. Análise do ECG é essencial para fechar o correto diagnóstico (figura
2).

O primeiro ponto, não se evidencia dissociação átrio-ventricular. Considerando o
padrão morfológico e os critérios de Brugada, evidencia-se um intervalo RS inferior a
100ms (aproximadamente 60ms), sugerindo uma aberrância de condução associada a
ritmo supraventricular. Pelo algoritmo de Verekei, há critério compatível com ritmo
supraventricular (Vi/Vt > 1). Após reversão, a comparação do ritmo com condução
atrioventricular intrinsica confirma tratar-se de um ritmo supraventricular. Pela avaliação
após infusão de amiodarona e redução da FC, verificou-se um ritmo de flutter atrial (FC
atrial de 320bpm) antes da reversão ao ritmo de base.

 

 

 

 


Referência bibliográfica

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