Desafios em Eletrocardiografia

Paciente com taquicardia de comportamento incessante: sobre o ECG abaixo, o que podemos afirmar?

Muhieddine Chokr / Cristiano Dietrich

O Caso

Paciente com taquicardia de comportamento incessante: sobre o ECG abaixo, o que podemos afirmar?

Carregando ... Carregando ...


Discussão:

Resposta C

Paciente foi encaminhada para estudo eletrofisiológico que confirmou o diagnóstico de taquicardia pelo duplo passo nodal “ one-to-two”.

Manifestação incomum do mecanismo de arritmias mediadas por dupla via nodal, pode ser conduzida anterogradamente pela via rápida (1 estímulo), e se a condução pela via lenta for suficientemente prolongada, pode resultar em um segundo estímulo ventricular (em suma, um estímulo atrial produzindo 2 estímulos ventriculares) – observado na figura 1. Ocorre em <1% das arritmias por dupla via nodal e em geral é necessário uma diferença de período refratário entre a via rápida e a via lenta de 400ms para sua perpetuação.

A condução pela via lenta é prolongada o bastante, permitindo que o nó AV e o sistema His – Purkinje recupere sua excitabilidade. O principal diagnóstico diferencial no laboratório de eletrofisiologia é com as extra-sístoles originadas diretamente no sistema de condução (extra-sístoles hissianas).

No presente caso foi afastado o automatismo do sistema de condução por manobras eletrofisiológicas, e a infusão de isuprel induziu taquicardia por reentrada nodal na forma comum – figura 2. Ablação da via lenta nodal resultou na interrupção da arritmia que apresentava comportamento incessante, e testes confirmaram o bloqueio da via lenta nodal.

Figura 1

Figura 1: um estímulo atrial produzindo 2 estímulos ventriculares precedidos por ativação do sistema de condução anterógradamente

 

Figura 2

Figura 2: infusão de isuprel induziu taquicardia por reentrada nodal na forma comum

 


Referência bibliográfica

Deixar um comentário

Seu email não será visível para os visitantes, campos com (*) são obrigatórios

* *