Holter pode salvar vidas

Utilizado para o monitoramento de eventos cardíacos anormais não identificáveis em outros tipos de exames, como em um eletrocardiograma, nos últimos anos o Holter tem apresentado imensa evolução tecnológica. Hoje, inerente à função de investigação cardiológica, o aparelho pode detectar alguns tipos de arritmias cardíacas assintomáticas e salvar vidas e evitar sequelas.

Há mais de 50 anos o Holter tem auxiliado cardiologistas e arritmologistas em exames mais detalhados. Incialmente, com gravadores de fitas de rolo e em sistema analógico, evoluiu para registros digitais, mais confiáveis e precisos. Dispõe de mecanismos com os quais o paciente pode interferir em seu monitoramento.

O paciente pode acionar no aparelho o Botão de Eventos, durante a realização do exame, sempre que perceber algum sintoma. Ao apertar este botão, o monitor fará uma marca na gravação e o cardiologista localizará o momento exato de um evento cardíaco específico, o que melhora a análise dos dados.

O Holter é indicado para diagnosticar anomalias do ritmo cardíaco que aparecem e desaparecem sem aviso. Sendo essas alterações difíceis de serem identificadas, e dependendo do objetivo do médico que solicitou o exame, o paciente poderá usar o aparelho por até uma semana.

Para o correto funcionamento do aparelho e do monitoramento, algumas informações são essenciais para o paciente, como ter cuidado para não molhar o equipamento, não realizar exames de raio X e não se aproximar de locais de alta tensão. Fora isso, todas as outras atividades cotidianas devem ser mantidas, até mesmo a atividade sexual.

Manter a rotina durante o uso do Holter é essencial para o paciente e para o médico, pois permitirá analisar e encontrar os fatores que motivaram as oscilações do ritmo cardíaco.

O monitoramento com o Holter não oferece riscos, nem dor ao paciente. A partir dos resultados aferidos pelo médico, serão decididos a necessidade ou não de mais testes, a forma de tratamento mais adequado, como a prescrição de medicamentos antiarrítmicos, a indicação de ablação ou a colocação de dispositivos, como marca-passo ou desfibrilador implantável para restaurar o ritmo irregular do coração.

Tecnologia e Análises Cardíacas

Com o avanço tecnológico do sistema, são cada vez mais precisos os detalhes sobre a frequência e o ritmo cardíaco, permitindo detectar arritmias cardíacas, que ocorreram no período da gravação, assim como melhorar a avaliação de marca-passos e otimizar a sua programação.

Ao contrário do eletrocardiograma, um teste mais rápido que verifica o ritmo cardíaco e monitora o coração por cerca de 10 a 15 batimentos, o Holter irá avaliar as irregularidades cardíacas por um período mais longo, 100 mil batimentos em 24 horas, com chances de detectar eventos cardíacos anormais até então não apresentados no eletrocardiograma.

Normalmente, o Holter é solicitado para pacientes de risco, como diabéticos, obesos, cardiopatas, idosos, hipertensos, em pessoas com apneia do sono, em pacientes que sofreram infarto e que devem passar por uma avaliação antes da alta hospitalar. Também quando o indivíduo percebe palpitações ou taquicardias ou quando o médico suspeitar de outra doença cardiológica, após síncopes ou determinada ação colateral de medicamentos.

AVC Criptogênico

A monitorização com Holter pode detectar episódios de fibrilação atrial assintomáticos, uma arritmia muito prevalente na população idosa e responsável por, aproximadamente, 30% dos casos de AVC.

Quando identificada precocemente na população de risco, permite a introdução de medicamentos com o objetivo de prevenir o AVC, tornando o prognóstico muito favorável.

*Artigo escrito pelos arritmologistas e membros da SOBRAC Dr. César Gruppi e Dra. Olga Souza

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