Dia Mundial de Luta Contra o Tabaco – Nicotina tem efeito tipo "adrenalina" no coração

No Dia Mundial de Luta Contra o Tabaco (31/5), médicos da SOBRAC (Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas) alertam para os riscos do tabaco para a saúde cardiovascular, em especial sobre os efeitos da nicotina no coração, ao aumentar os batimentos cardíacos e favorecem uma arritmia cardíaca. O tipo mais frequente de a arritmia associada ao tabagismo é a fibrilação atrial, que tem como uma de suas consequências o AVC (Acidente Vascular Cerebral).

A Fibrilação Atrial se caracteriza pelo ritmo de batimentos rápidos e irregulares dos átrios do coração, com incidência de 2,5% da população mundial, o equivalente a 175 milhões de pessoas. Acomete, principalmente, a faixa etária acima dos 65 anos ide idade. Com o envelhecimento da população mundial e brasileira, estima-se que os casos desta arritmia podem ser elevados em até 10% nos próximos anos. Vale lembrar que, até 2050, 30% da população brasileira estará com 60 anos de idade. Desta forma, indivíduos nesta faixa etária que sejam fumantes, potencializam seus riscos cardiovasculares.

Quando o paciente apresenta fibrilação atrial, a perda da atividade mecânica atrial decorrente deste tipo de arritmia, propicia estase sanguínea e aumenta o risco da formação de coágulos no interior dos átrios. Os coágulos podem desprender-se e, pela corrente sanguínea, entupir as artérias cerebrais, causando os acidentes vasculares cerebrais isquêmicos.

Na literatura médica existem diversos artigos atestando os efeitos nocivos do tabagismo. Em todas as séries recentes, o tabagismo aparece como um dos fatores que mais aumentam o risco cardiovascular. Em geral, cigarro é um fator de risco para o desenvolvimento de arritmias, além de aumentar significativamente o risco de entupimentos das artérias coronárias (chamada aterosclerose), consequentemente aumentando o risco de um ataque cardíaco, popularmente conhecido como infarto do miocárdio.

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Os dados chamam a atenção para o aumento da mortalidade de causa cardiovascular (duas vezes maior) para os fumantes em relação aos não-fumantes. Riscos que também se estendem para fumantes passivos, ou seja, pessoas que ficam expostas a fumaça do cigarro dos outros

A melhor maneira de prevenir doenças cardíacas, entre elas as arritmias cardíacas, ainda é através da adoção de hábitos saudáveis e, fumar, com certeza não faz parte da lista de bons hábitos.

Artigo escrito por Dra. Denise Hachul, presidente e arritmologista da SOBRAC e Dr. Eduardo Saad, também arritmologista e membro da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas

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